2018/10/30

Valadares, Roca, Sanitana, cheguem-se aqui à minha beira!

Como devem calcular pelo título deste post, isto vai dar merda. Por isso olha, se não quiserem podem ir já andando.

Aqui por terras Teutónicas, onde me encontro por motivos profissionais, sinto diariamente e da mesma forma que por terras Lusitanas, aquele chamado à loiça sanitária para um digníssimo number two. Acontece que a dita loiça sanitária tem um design diferente, muito diferente daquele a que estamos habituados na Pátria Lusitana. Talvez em honra do III Reich, a latrina aqui é em formato "vala rasa", o que significa que, após soltarmos a fera, ela fica ali num planalto de loiça, isolada, com a água lá longe. O que significa também um aumento da intensidade odorífica. Já para não falar na possibilidade, Deus me livre e guarde destas coisas, de me ocorrer uma diarreia e ter que saltar directamente da sanita para o duche para uma lavagem aos glúteos!

Então, proponho a todas as marcas mencionadas no título deste post de merda e a todas as demais marcas de loiça sanitária um estudo de mercado ao mercado Alemão, com o propósito de substituir todas estas valas rasas por cemitérios propriamente ditos, em que a fera deixe de estar ali isolada, coitadinha, e se possa transformar finalmente num Greg Louganis e mergulhe numa piscina tal como acontece em Portugal, diminuindo assim a intensidade dos odores desagradáveis. 

Também em termos de limpeza se nota uma diferença. Usar o piaçaba torna-se um desafio. Já tentaram usar o piaçaba para limpar uma bancada de cozinha? É essa a sensação que se sente numa sanita vala rasa. Sendo uma superfície plana, é muito mais trabalhoso e menos saudável para quem tem o reflexo do vómito fácil, como eu.

Muito obrigado,
Silent Man

2018/10/29

Não largues a cerveja não...

Vicissitudes da vida profissional transportaram-me para uma cidade nos arrebaldes de Munique. Já não é a primeira vez que cá venho e que fico no mesmo hotel, pelo que o senhor da portaria do mesmo já me conhece.

Ontem à noite, restabelecido após uma bela sestinha, saí do hotel para ir jantar. Desloquei-me até ao estacionamento onde deixo o meu "Ferrari" (devido à cor) rent-a-car e... o Ferrari não está lá. É um estacionamento de apenas quatro lugares, não um parque de um centro comercial, pelo que não havia grande hipótese de estar no andar errado ou assim. Assustado, refaço mentalmente o caminho do dia anterior e penso "Foderam-me o carro". Assim, sem mais nem porquê. à bruta. Entro no hotel novamente, chego à portaria e explico a situação. O senhor, impávido e sereno, faz-me duas ou três perguntas e concluí "Então roubaram-lhe o carro". Assim, com a mesma calma como se estivesse a dizer "Então bom dia" ou "Então é a conta, não é?". E eu em grande stress, a deitar fumo pelas orelhas, quase a ter uma apoplexia, mais coisa menos coisa, a querer despachar-me, ainda por cima cheio de fome e a rezar pelo restaurante Grego do costume...

Lá o senhor calmamente telefona para a polícia, fala com eles em alemão, explica a situação, diz onde estamos e recebe como resposta "o senhor que venha cá que neste momento não podemos disponibilizar carros para irem aí" (parece que não é só em Portugal que é assim...), explica-me precisamente isso, calmamente imprime o mapa para eu ir dar com a esquadra de polícia, que ficava a uns meros 300 metros, explica-me que é só dar duas à esquerda e uma à direita e lá vou eu.

Saio do hotel, preparo-me para acender um cigarro e olho em frente... Vejo um carro cor de Ferrari, marca e modelo do meu, do outro lado da rua. Assim como quem não quer a coisa, meto a mão ao bolso e carrego no botão de destrancar e... o carro dá sinal. Era aquele o meu Ferrari. "Foda-se!". Volto para o hotel, explico a situação ao senhor, ele volta a ligar para a polícia e explica que o carro lá apareceu, desliga o telefone e pergunta "Então o que se passou?" com a mesma calma com que perguntaria "Que horas são?". Eu, vermelho que nem um pimentão, a querer abrir um buraco no chão para me esconder, lá digo "Devo ter estacionado ali e não me lembro...".

Hoje de manhã, ao pequeno almoço, lá está o senhor novamente. Assim que me vê, arreganha a tacha e pergunta "Então, o carro, lembra-se onde estacionou?". Finalmente alguma emoção vinda daquele senhor. Mas não a certa. Gozo não foi fixe. Eu enrubesci novamente claro e digo-lhe que fixe, mesmo fixe era fazer aquilo todos os dias para animar o dia... E o senhor dá uma gargalhada e diz que nunca mais se vai esquecer de mim.

É que só a mim, mesmo!

2018/10/10

Hoje apetece-me falar sobre isto

Sou um apaixonado por música, para quem vem cá pela primeira vez. Para todos os que já vão conhecendo aqui o Tasco, ninguém duvida disso, espero eu.

Se há coisa que me deixa triste, é quando morre algum artista de quem eu gosto. Prince, Freddie Mercury, David Bowie, Kurt Cobain, Amy Winehouse, Chris Cornell, Chester Bennington... todos estes moços foram uma perda inacreditável para a cultura musical, a nível global. Quem sabe se na altura da morte eles ainda tivessem oportunidade de, a manterem-se vivos, darem-nos coisas tão maravilhosas como aquelas com que nos presentearam em vida.

Mas não há, na minha singela, modesta e criticável opinião, maior perda para o mundo musical que a de um senhor chamado Layne Staley. Não conhecem? Shame on you! Alice in Chains, diz-vos qualquer coisa? Não? Shame on you, again!

Os Alice in Chains são uma banda de grunge, que ainda hoje existe, formada nos anos 80 do século passado por um senhor chamado Jerry Cantrell, que ainda é o principal dínamo da mesma. Comecemos então com um pouco de história. O movimento grunge começou com bandas como Mudhoney, Mother Love Bone e progrediu depois com Alice in Chains e Stone Temple Pilots. Só então apareceram os gigantes Audioslave, Nirvana e Pearl Jam.

No início nos anos 90, quando as camisolas de flanela e as calças de ganga largas estiveram mais na moda, foi quando os Alice in Chains obtiveram o maior sucesso, especialmente com o álbum Dirt, de 1992. A particularidade do Layne era a voz que, tal como a do Eddie Vedder dos Pearl Jam, era facilmente reconhecível devido ao seu tom de Tenor Dramático. Talvez fosse ainda mais potente, inclusivamente, que a do Eddie Vedder. E o talento que havia naquele senhor era comparável apenas à sua vontade de se auto-destruir com drogas pesadas, álcool e gajas. Infelizmente, deixou-nos no ano de 2002, com apenas 36 anos e toda uma vida pela frente, num apartamento de motel rasco, com uma televisão a dar chuva e apenas 46 quilos de peso para mais de metro e oitenta de altura.

Temas como Rooster, Down in a Hole e o inesquecível Would? tornaram esta banda num dos meus ícones de adolescência. Ainda hoje gosto de ouvir não só os álbuns, como também o fabuloso Unplugged que fizeram para a MTV em 1996 em que podemos ouvir, sem filtros, a genialidade vocal do senhor que hoje venho aqui homenagear.