Exceptuando no trabalho, é o trânsito que me provoca mais azia. Por regra, sou uma pessoa que tenta ser justa e boa camarada. Que se preocupa também com os outros. E que, não abdicando do seu bem-estar, procura não incomodar o bem-estar dos outros. Basicamente, um Bambi altruísta.
Assim, nos cerca de 20 minutos diários de condução (de e para o trabalho), não raramente fico com uma azia de todo o tamanho ao ver certos e determinados comportamentos. Egoísmo puro, a lei do "caguei para ti" elevada ao seu máximo expoente. É assim que eu vejo as estradas portuguesas e o condutor Português no geral.
No trajecto que eu faço habitualmente, passo por três vias rápidas. IC16, IC17 e IC19, de forma consecutiva. Saio de uma para entrar na seguinte. Logo, uso aquilo a que se usa uma "faixa de aceleração", ou seja, aquelas faixas onde não se tem prioridade mas que servem para podermos acelerar um bocadinho e incomodar o mínimo possível os condutores da via rápida onde vamos entrar.
Por questões de Engenharia, normalmente as faixas de aceleração ficam perto das saídas das vias rápidas, os chamados "nós de circulação". E é aí que as embalages de Kompensan são chamadas ao serviço. Porque as saídas das vias rápidas, quando coincidem com as entradas nas mesmas, mantém a prioridade. Ou seja, quem sai da via rápida tem prioridade sobre quem vai a entrar. Esta é a regra. E quem vai a sair da via rápida prefere acelerar ao máximo (porque tem a prioridade) e depois travar quase a fundo (porque tem que sair para uma curva normalmente em cotovelo), impedindo quem vai a entrar na via rápida de utilizar a faixa de aceleração para desenvolver a sua marcha e entrar já com uma velocidade aceitável (digamos 40 a 50km/h) e em aceleração, incomodando assim o mínimo possível quem circula na via rápida, normalmente a velocidades mínimas de 70 a 90km/h. Estão no seu direito, é verdade. Mas porra, falta de senso... Vou sair agora do IC19, deixa cá acelerar para sair antes daquele carro entrar para depois travar quase a fundo. Assim, quando ele entrar, o tipo que vai atrás de mim tem que travar bués porque este não consegue acelerar. E com sorte, vai distraído e os acidentes acontecem.
Outra coisa que me dá comichões é quando há um limite de velocidade e a pessoa vai a cumpri-lo à risca, mas a impedir os outros de andarem à velocidade que quiserem. Aqui, a pessoa vai a cumprir a lei. Não há nada a apontar. Mas e se eu não quiser cumprir a regra, o problema é de quem? Meu, não é? E se for multado por excesso de velocidade, quem paga a multa? Exacto, eu. Assim, se eu estiver atrasado para uma reunião no trabalho, sim, faz-me azia que vá alguém na faixa da esquerda a 70km/h (o limite no túnel onde passo diariamente) estando a faixa do centro vazia. Ou pior, estando a faixa do centro E a da direita vazias.
Num destes dias, faço outro post. Desta vez sobre a minha relação com taxistas, rotundas e condutores estrangeiros.