Até agora, o Júnior ainda não se mostrou à malta. Ainda não abriu a pernoca. Acontece também que a T. tem o útero invertido, pelo que o "alvo" está mais longe do scanner da ecografia e vê-se com mais dificudade. O "plano" é às 22 semanas o bebé já estar grande o suficiente para se ver sem problemas o que se passa por ali. Mas felizmente continua mexilhão e bem disposto. Cada vez que vamos à médica, vai ali uma rave do caraças e o bebé não pára de se mexer.
Até agora, temos ouvido todos os tipos de bitaite. A gata não se chega ao pé de ti, é menina, o gato não te larga, é menina. A tabela chinesa diz que é menino, a Senhora das unhas diz que é menino porque a T. tem acne, a Senhora do cabelo diz que é menino porque a barriga é grande e redonda. A amiga da T. diz que é menino porque ela tem cara de quem vai ter um menino. A minha mãe diz que é menino porque diz que é menino. O meu sogro diz que é menina porque ele é que manda e é uma menina. É assim a nossa vida. Cheia de bitaites. Uma alegria. Nós vamos rindo e dizendo que sim a tudo.
O meu feeling é inexistente. Sou honesto. Não faço puto de ideia se é um menino ou uma menina. Mas sei o que quero e é aqui que a porca torce o rabo. Porque o que eu quero, mas assim querer querer mesmo, é uma menina. Para a encher de roupas bonitas e coloridas, para a encher de mimos e de bonecas (Hello Kittys é que não...), para não ter que levar com as brutidades próprias dos meninos com 5 anos que não sabem medir muito bem a força que têm e que aleijam as pessoas com as suas brincadeirinhas e também porque sempre achei que era mais fácil educar de base uma menina que um menino. Mas depois começo a pensar e existe aquela cena lá para 2027 que é chamada de... ADOLESCÊNCIA! E aí... Vacilo. Estou a ser o mais sincero possível. Tenho medo de ter uma menina adolescente em casa. Porque os corpos começam a crescer, assim como as chamadas e as mensagens no telemóvel, bem como os galifões à porta de casa e eu não sou um homem conhecido pela sua eterna paciência e disponibilidade para "contornar" regras. E se eu gosto de coisas planeadas... Acrescente-se a isso que as roupas começam a diminuir. Fomos às compras com duas "primas" da T. no fim de semana e as roupas que elas escolhiam TINHAM que mostrar a barriga. Enquanto elas lá andavam pelos provadores, eu e a T. olhámos à volta e vimos outras que tais. Adolescentes a mostrarem as mamas! MESMO! E torcemos ambos o nariz. Pelo menos nisto estamos de acordo e isso é óptimo. Mas e se a criança não estiver e quiser usar exactamente aquilo ou pior? Fecho-a no armário? Um par de estalos e um colégio de freiras? Hell no! Eu sei bem o que se passa nos colégios de freiras. Porque já estive no mesmo hotel que as meninas de um colégio de freiras e foi A PUTA DA LOUCURA! Como é que eu descalço a bota?
Além disso, um menino tem outras vantagens. Tenho os brinquedos dos sobrinhos já cá em casa, no andar de baixo. Tenho uma mente mais maleável para ensinar. Tenho coisas mais simples para ensinar, porque são aquelas que me ensinaram a mim. Sei a 100% como funciona o corpo de um homem, mas apenas parcialmente como funciona o corpo de uma menina. Posso praticar desporto com um menino, especialmente na adolescência, quando os corpos forem mais parecidos (isto se eu emagrecer...), posso compreender melhor um menino na adolescência, porque eu fui um adolescente irrequieto (e de que maneira...), posso dar bons conselhos que o meu padrinho e os meus tios me deram quando eu tinha 14 ou 15 anos (o meu pai sempre me deu bons conselhos também, mas não nesse "âmbito"...), posso entender melhor os olhares e os amuos. Posso até emprestar-lhe roupa (novamente, se emagrecer). E quando chegar a fase em que ah e tal as miúdas, oh meu amigo. Tens um pai com a escola toda. Que te pode dizer muita coisa que eu sei que não queres ouvir, mas que precisas de ouvir para não seres apanhado na curva. Porque o álcool é lixado, porque as drogas estão sempre por perto, porque há mulheres que não nos largam a cueca, porque há mulheres que não nos ligam puto e nós queremos a cueca delas, etc. e tal. Pode parecer machista da minha parte, mas a mente de um rapaz adolescente é assim mesmo! Copos, miúdas e futebol/inserir desporto aqui.
Basicamente, a diferença entre ter um menino e uma menina é a diferença entre ensinar e aprender. Se for um menino, posso ensinar, com base na muita experiência que já trago enquanto homem. Claro que também vou aprender, como aprendo quase na base diária com os dois terroristas do andar de baixo. Mas não tanto como aprenderei se tiver uma menina. Há a C., filha de uns amigos com 3 aninhos, para me ensinar qualquer coisa. Certamente terei muito mais atenção a ela se me disserem que vou ter uma filha. Mas neste momento, eu sei ZERO! Eu não sei falar com uma menina bebé, como se verifica pelos sustos que prego à baby C. de vez em quando. Eu não sei lidar com meninas adolescentes, como se verificou na minha própria adolescência há 20 anos atrás. Hell... Até com mulheres feitas eu tenho dificuldade em lidar. E a T. certamente poderá testemunhar isso. Mas há um rol de mulheres, desde a minha mãe às minhas ex-namoradas, que poderão ratificar, por assim dizer, tudo o que de mal se possa dizer de mim no capítulo "Silent e as mulheres".
Temos
que ensinar a criança a estudar. Tarefa tácita e unanimemente confiada à
T. Eu sou inteligente, decorei o que precisei e fiz os estudos
obrigatórios com uma perna às costas. Depois cheguei à Universidade e
apercebi-me de que não sabia estudar. Foi o cabo dos trabalhos. Com mais
dificuldade, tive que me render à única coisa que me safava. A memória.
Inventei mnemónicas, Passei cadernos a limpo mil e uma vezes, para
memorizar o que escrevia. Procurei lógicas no ilógico. Felizmente para
mim, o meu curso é à base de cálculo. Quem compreende o cálculo,
safa-se. E eu compreendia o cálculo. Quando gostava do prof ou da
matéria. A T. não. O curso dela é 90% estudo. E ainda mais
actualizações. Se o crianço for inteligente como eu sou, não desfazendo
na inteligência da T. que é muita, eu sei que não vou ter problemas na
escola. Porque ela me dá garantias de que ele vai saber estudar, de novo. A partir da primeira classe. E aí uma menina tinha vantagem, na teoria. A mente delas é mais vocacionada para o estudo. A deles... nem por isso. Claro que tenho os betinhos da minha terra para me provar o contrário, mas eles tiveram tudo para serem bem sucedidos no estudo. Os professores deles eram os all-star da escola, apenas porque eram filhos, familiares ou amigos dos familiares dos professores da escola. As turmas da escola basicamente eram assim: Turma A - filhos dos professores da turma B e seus BFF's, mais os putos que reprovavam mas que os pais tinham dinheiro. Turma B - filhos dos professores da Turma A e seus BFF's, mais os putos que reprovavam mas que os pais tinham dinheiro. Depois da C para baixo, eram diversas "camadas" de malta, consoante a influência que os pais tinham ou queriam ter na sociedade. Eu calhei na turma H. Tinha 14 repetentes no sétimo ano, alguns deles maiores de idade. Eu era o mais novo na turma e dos mais inteligentes. O que aconteceu? Aquilo que já vinha do ciclo. Não fui mais bullied (na altura não existia o termo... mas foi o que aconteceu), porque tinha os meus amigos do Basket (todos mais novos que eu...) para me defender, porque só eu contra muitos não dava. Mas nem sempre conseguia. Algumas vezes eles vieram levantar-me do chão, onde estava de borco depois das rodinhas e das fileiras que me faziam à porta da sala. Com os professores a ver, muitas vezes. Eu não quero isso para o meu filho... Ou para a minha filha. Mas é uma hipótese. Quase 50%-50% neste momento. É outra coisa que me aterroriza.
Ser pai não vai ser nada fácil. Acho que quando a criança nascer, já vou ter úlceras de tanto pensar nestes assuntos...